30% dos corretores de imóveis não têm acesso à Internet
06.10.2009
30% dos corretores de imóveis não têm acesso à Internet, aponta Cofeci
Apesar do investimento em qualificação profissional, inclusão digital ainda não é realidade para categoria.
30/09/09 - Na última década, cerca de 60 mil corretores de imóveis ingressaram no mercado de trabalho. De lá para cá, o perfil desses profissionais mudou: hoje, cerca de metade dos corretores tem nível superior e 50,97% têm curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI) - o curso exigido para a concessão do registro profissional. Atualmente, bacharéis em Direito e em Administração predominam na profissão - são mais da metade dos corretores de nível universitário em atividade. Seguem profissionais graduados em Contabilidade e Engenharia.
Apesar do investimento em qualificação profissional, 30% dos corretores não têm acesso à internet. Os dados são do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), que realizou, durante dez meses, uma pesquisa sobre os corretores de imóveis brasileiros, profissão que completou 47 anos de regulamentação em 27 de agosto. “Esse é um dado importante para o Cofeci trabalhar e pôr em prática a estratégia de inclusão digital dos corretores, que já está sendo pensada pela diretoria”, diz o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva.
Sobre o rendimento mensal, o levantamento observou que um quarto dos corretores ganha entre R$ 1.000 e R$ 2.000, mas há aqueles que têm renda mensal superior a R$ 10.000. Paulo José Vieira Tavares, presidente em exercício do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis no Estado de Minas Gerais (Creci-MG), destaca que, em Belo Horizonte, um corretor que está iniciando ganha em média R$ 5.000 mensais.
Praticamente um terço dos profissionais possui sua própria empresa imobiliária; outro terço presta serviço a empresas; a parte restante é autônoma.
“O último censo foi realizado há quase dez anos e não era tão preciso quanto este. Neste, entramos em contato com corretores em todo o país para que eles respondessem aos nossos questionários. Constatamos que a categoria mudou muito nessa última década”, explica o presidente do Conselho. “Para nós do sistema Cofeci-Crecis é muito importante esse levantamento de informações, porque é a partir dele que vamos identificar as carências dos nossos profissionais e poder nos posicionar de maneira a beneficiar a categoria”.
Mulheres conquistam espaço - Nos últimos dez anos, o número de mulheres aumentou em 144%. Hoje, 20,24% dos profissionais que atuam como corretores de imóveis são do sexo feminino. A evolução da profissão, por gênero, mostra que a presença feminina tende a crescer. Para o presidente em exercício do Creci-MG, isso se deve à postura delas diante do trabalho. “A mulher é mais serena e mais perseverante, qualidades que ajudam muito no mercado de imóveis e que irão favorecer essa participação no setor”, avalia Tavares.
São poucas as mulheres que trabalham como autônomas. A maioria prefere ser funcionária em imobiliárias. Segundo Tavares, isso ocorre pela sensação de segurança que um emprego fixo proporciona.
Idade média - a maioria dos corretores tem entre 46 e 55 anos. Segundo o presidente em exercício do Creci-MG, esse perfil é característico de uma época em que muitas pessoas mudavam de profissão já no final da carreira, vendo o setor imobiliário como uma boa área para ganhar dinheiro extra. “Hoje o quadro está mudando. As pessoas estudam para serem corretoras de imóveis. Em breve, a faixa etária predominante será mais jovem”, avalia Tavares.