Chapecó precisa de crescimento ordenado
29.10.2009

Secovi/Oeste: Chapecó precisa de crescimento ordenado

29/10/2009

 

 

 

Nesta semana, lideranças do Sindicato do Mercado Imobiliário Secovi/Oeste participaram do Fórum Municipal de Habitação de Interesse Social promovido pela Secretaria de Habitação do município de Chapecó, com a presença de vários segmentos da sociedade envolvidos nas questões de moradia.

 

O presidente do Secovi/Oeste, Paulo Jorge Lise, atesta que Chapecó enfrenta hoje um déficit habitacional, estimado em mais de 7 mil unidades, onde as moradias populares representam a maior parte. “Demanda existe. Incentivos e subsídios do governo federal para a aquisição de imóveis de baixo valor, com juros que chegam até 4,5% ao ano, também. No entanto, em Chapecó, não temos imóveis para atender essa faixa da população”, constata.

 

Lise argumenta que, hoje, existem muitos entraves na abertura de novos loteamentos e que os processos tem sido muito morosos. “O que se espera do poder público é a agilidade nos encaminhamentos e incentivo à iniciativa privada para a efetivação de novos empreendimentos imobiliários que atendam as necessidades de consumidores para imóveis populares. Quando Chapecó foi criado, contava com uma área territorial de 14 mil quilômetros quadrados e, atualmente, em face das sucessivas emancipações de novos municípios, a sua superfície foi reduzida para apenas 5%. Por isso, é fundamental pensar estrategicamente e de forma ordenada como vai ser a expansão e o crescimento do município. E os imóveis populares também precisam ser contemplados nesse contexto”, enfatiza.

 

O diretor do Secovi/Oeste e de Parcelamento do Solo do CRECI/SC, Ademir Roque Sander também sugere que os processos de legalização dos loteamentos sejam agilizados para aumentar a oferta de imóveis. “Se tivermos mais opções e novos empreendimentos para oferecer aos clientes, com certeza isso se refletirá na baixa dos preços”, destaca. Ele argumenta que há uma preocupação das lideranças das entidades imobiliárias e também do prefeito municipal João Rodrigues em baratear os preços dos terrenos e das moradias e facilitar o acesso à casa própria. “Não vemos outra saída a não ser atentarmos a aquela lei mais antiga do comércio, a lei da oferta e procura ou seja, somente com a produção de mais imóveis para atender a oferta poderemos estabilizar e ou reduzir preços. O quadro atual só mudará com a concorrência de mercado, e a grande preocupação da categoria é que sejam implantadas novas regras para os empreendimentos e venham e dificultar a produção destes imóveis, principalmente para os do tipo popular encarecendo ainda mais o custo”.

 

Outra questão da habitação em Chapecó, apontada por Roque Sander, é a falta de fiscalização das obras e das ocupações clandestinas que se arrastam por muitos anos, desde antigas administrações. De acordo com Sander, a sugestão da entidade é que a Secretaria de Habitação, recentemente constituída, e coordenadana pela Secretária Luciane Stobe, mantenha e melhore a equipe para inibir as irregularidades do setor.

 

“Acreditamos que tendo os meios físicos, dará conta com certeza. Entendemos que a secretaria da habitação deve ter uma estrutura física que possa manter uma equipe permanente, inclusive aos finais de semana, que, além de fiscalizar, impeça as invasões e efetue levantamento de habitações irregulares quando elas ainda estão no início. Além disso, deveria manter também a fiscalização efetuada pela Secretaria de Planejamento e Urbanismo sobre construções sem projetos em terrenos regulares”.

 

Outro ponto imprescindível para Sander é que a Secretaria da Habitação deveria ter orçamento com significativos recursos para investir na área social, independente dos recursos da comercialização de imóveis próprios do município. “Somos uma capital regional e o problema da produção de habitação para famílias de menor renda é uma constante há muitos anos. A atual administração investiu muito bem em obras como centro de eventos, contorno viário e tantas outras, e agora não tem como deixar de atender a demanda social, que enfatizo deva ser uma constante de cada nova administração que entre para governar Chapecó. Até por que se Chapecó pretende alcançar em poucos anos 250 mil ou logo 300 mil habitantes, não tem como crescer sem esta questão social estar equacionada e atendida “constantemente”, mantendo técnicos capacitados que dominem o tema e recursos, pois então não teremos qualidade de vida se o crescimento econômico não vir junto com o social, ambiental e de planejamento urbano”, finaliza. 

 

Marcos A. Bedin
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